Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.
"Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais." Charles Baudelaire
Mostrando postagens com marcador NERUDA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador NERUDA. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
SONETO LXVI
"Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não te querer chego
e de esperar-te quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
odeio-te sem fim, e odiando-te te rogo,
e a medida de meu amor viajante
é não te ver e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu me morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo."
(PABLO NERUDA)
e de querer-te a não te querer chego
e de esperar-te quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
odeio-te sem fim, e odiando-te te rogo,
e a medida de meu amor viajante
é não te ver e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu me morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo."
(PABLO NERUDA)
sábado, 4 de agosto de 2007
Por ti
Por ti junto aos jardins cheios de flores novas me doem
os perfumes da primavera.
Esqueci o teu rosto, não me lembro de tuas mãos,
como beijavam os teus lábios?
Por ti amo as brancas estátuas adormecidas nos parques,
as brancas estátuas que não têm voz nem olhar.
Esqueci tua voz, tua voz alegre, me esqueci dos teus olhos.
Como uma flor a seu perfume, estou atado à tua lembrança
imprecisa.
Estou perto da dor como uma ferida, se me tocas me farás um
dano irremediável.
Não me lembro mais do teu amor e no entanto te adivinho atrás
de todas as janelas.
Por ti me doem os pesados perfumes do estio: por ti volto a
espreitar
os signos que precipitam os desejos, as estrelas em fuga, os
objetos que caem.
Pablo Neruda
os perfumes da primavera.
Esqueci o teu rosto, não me lembro de tuas mãos,
como beijavam os teus lábios?
Por ti amo as brancas estátuas adormecidas nos parques,
as brancas estátuas que não têm voz nem olhar.
Esqueci tua voz, tua voz alegre, me esqueci dos teus olhos.
Como uma flor a seu perfume, estou atado à tua lembrança
imprecisa.
Estou perto da dor como uma ferida, se me tocas me farás um
dano irremediável.
Não me lembro mais do teu amor e no entanto te adivinho atrás
de todas as janelas.
Por ti me doem os pesados perfumes do estio: por ti volto a
espreitar
os signos que precipitam os desejos, as estrelas em fuga, os
objetos que caem.
Pablo Neruda
sábado, 7 de abril de 2007
Pablo Neruda

"Saberás que não te amo e que te amo.
Porquanto de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem sua metade fria.
Eu te amo para começar a te amar,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de te amar nunca:
por isso mesmo é que ainda não te amo.
Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da ventura
e um incerto destino desditado.
Meu amor tem duas vidas para amar-te
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo."
[Pablo Neruda]
Assinar:
Postagens (Atom)